Healthcare Academy da Microsoft já capacitou 8.000 profissionais da saúde em Inteligência Artificial em Portugal
Em Portugal, um estudo observacional da BMOpen com médicos de família estima que cerca de um terço do dia de trabalho (33,4%) é ocupado por tarefas fora do contacto direto com o doente, como gestão, reuniões e renovação de prescrições.
Num contexto em que a Organização Mundial da Saúde estima um défice global de 11 milhões de profissionais de saúde até 2030 – e em que 55% dos médicos internos em Portugal apresentam risco de burnout, segundo a OCDE – libertar tempo clínico e reduzir carga administrativa tornou-se uma prioridade operacional para os sistemas de saúde.
É neste enquadramento que a Microsoft Portugal criou a Microsoft Healthcare Academy, concebida para dotar os profissionais de saúde do conhecimento prático e da experiência necessária para aplicar a IA de forma segura e eficaz em ambientes clínicos reais.
Em colaboração com parceiros como a Disoscope, a Microsoft Healthcare Academy já capacitou cerca de 8.000 profissionais da saúde em Inteligência Artificial, através de formações diretas e de conteúdos disponíveis a pedido nas plataformas da Disoscope. “Sabemos que os enfermeiros e os médicos perdem grande parte do seu tempo em tarefas administrativas, e é precisamente aí que já observamos otimizações significativas, com casos de uso em prática. Através destas iniciativas, providenciamos formações via webinars através de parceiros como a Disoscope e também presenciais. No total, já alcançámos cerca de 8.000 colaboradores do sistema de saúde, sendo que as formações com maior adesão e impacto são as de Microsoft 365 Copilot”, revela Joana Cortegano, responsável de Customer Success na Microsoft Portugal.
Entre os processos administrativos que hoje consomem tempo clínico estão tarefas como a preparação de documentação clínica, a organização de fluxos internos de informação entre equipas ou o pedido de transporte de doentes entre unidades hospitalares – um processo frequentemente manual e moroso, que pode ser automatizado com recursos já disponíveis nas licencias do SNS. “Os médicos perdem muito tempo em tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, como escrever relatórios que são sempre muito semelhantes. No trabalho que desenvolvemos com a Microsoft, o foco foi mostrar que já existiam ferramentas digitais, incluídas na licença Microsoft, que estavam disponíveis no local de trabalho e não estavam a ser usadas no seu máximo potencial. Através das formações, mostramos exemplos reais de como estas ferramentas podem poupar trabalho em tarefas repetitivas, mantendo sempre a validação final do médico, libertando tempo para aquilo que só o médico pode fazer”, refere Tomás Pessoa e Costa, fundador e CEO da Dioscope.

Da formação à aplicação prática nas unidades de saúde
Para além da componente de formação, o programa inclui também momentos de aplicação prática e cocriação, como hackathons, que reúnem equipas multidisciplinares para explorar e desenvolver soluções de Inteligência Artificial aplicadas a desafios do trabalho clínico e administrativo.
Um dos exemplos mais recentes é a edição especial da Microsoft Healthcare Academy – IA para Frontline Workers em Saúde, concebida para passar da capacitação à ação conjunta através da cocriação. Durante esta formação, juntaram-se profissionais de saúde e especialistas da Microsoft para identificar desafios vividos diariamente nas unidades do SNS e desenhar soluções de IA com aplicabilidade imediata.
“Cocriação é a palavra-chave desta academia e espelha aquilo que a Microsoft está a fazer em parceria com as várias Unidades Locais de Saúde (ULS) do país. É através do envolvimento dos profissionais de saúde, que vivem os desafios do dia a dia, que conseguimos criar agentes com valor acrescentado. O nosso grande objetivo é comum ao do SNS: servir melhor o cidadão”, afirma Margarida Morais, AI Solutions Specialist na Microsoft Portugal.
Foram exploradas oportunidades para automatizar tarefas administrativas repetitivas, acelerar a preparação de documentação e melhorar fluxos de informação entre equipas, reduzindo o tempo dedicado a processos internos que consomem tempo e energia às equipas clínicas.

Impacto na linha da frente
Todas as soluções trabalhadas no âmbito da Healthcare Academy respeitam os princípios de IA responsável da Microsoft, colocando a segurança, a privacidade, a transparência e a supervisão humana no centro do desenho e da implementação tecnológica.
Do lado de quem está na linha da frente, o impacto já é tangível: menos tempo em tarefas burocráticas, mais tempo com e para as pessoas.
“Não tenho nenhuma dúvida de que a Inteligência Artificial, em várias alavancas da saúde, pode ter um papel primordial. Os agentes de IA podem libertar-nos para termos mais tempo para determinadas tarefas, estarmos efetivamente presentes, analisar dados com maior profundidade e inovar noutros contextos”, comenta Edgar Pires, Enfermeiro Chefe da Urgência Geral do Hospital Amadora‑Sintra e participante na iniciativa.
Perante orçamentos apertados e uma procura crescente por serviços de saúde, hospitais, farmácias e consultórios médicos em todo o mundo estão a adotar tecnologia de Inteligência Artificial para reduzir o tempo gasto em documentação, acelerar o fluxo de informação clínica relevante e melhorar as condições de trabalho de enfermeiros, médicos e farmacêuticos sobrecarregados. Ao colocar a Inteligência Artificial ao serviço de quem está na linha da frente, a Microsoft Portugal reforça o seu compromisso com uma transformação digital responsável na saúde, assente na confiança, na segurança e na supervisão humana. O objetivo é claro: devolver tempo aos profissionais, apoiar decisões mais informadas e contribuir para um sistema de saúde mais sustentável e centrado nas pessoas.