A Cemex, uma empresa global de materiais de construção com sede no México, está lançando um agente financeiro alimentado por IA que já está transformando a maneira como os principais executivos trabalham, planejam e tomam suas decisões.
Batizado de LUCA Bot, o agente já é acessado por cerca de 100 líderes da empresa. A ferramenta é treinada com milhares de dados econômicos e financeiros internos, muitas vezes confidenciais, como vendas mensais e desempenho de fábricas de cimento, concreto pré-misturado e agregados. O LUCA Bot foi especificamente projetado para fornecer rapidamente insights sobre as finanças da Cemex, ajudando executivos a atuar rapidamente em questões críticas dos negócios.
O LUCA Bot apoia a estratégia de controladoria digital da Cemex ao fornecer acesso a indicadores-chave de desempenho financeiro (KPIs) em múltiplos canais. Isso promove uma cultura orientada por dados e uma análise contínua de desempenho empresarial, segundo a empresa.
Usuários autorizados – de membros do comitê executivo até gestores de nível intermediário – podem interagir com o LUCA Bot por meio de um chat em linguagem natural via web e dispositivo móvel. Os dados são granulares o suficiente para permitir uma análise detalhada do desempenho de qualquer linha de negócios no mundo.
Após um período experimental bem-sucedido, o agente foi oficialmente lançado no ano passado. Os executivos da Cemex dizem que a ferramenta foi um divisor de águas, economizando um tempo valioso e fornecendo acesso a informações financeiras internas confiáveis 24 horas por dia.
Segundo os executivos, ao otimizar processos internos, o LUCA Bot facilita a obtenção de respostas rápidas para problemas urgentes, aumentando a eficiência em toda a empresa. Além disso, a ferramenta fornece atualizações em tempo real sobre metas mensais.
“É uma melhoria na visibilidade das informações financeiras que permite ativar alavancas operacionais”, diz Fausto Sosa, vice-presidente de Tecnologia da Informação da Cemex. “É uma ferramenta de autoatendimento que ajuda a encontrar eficiências operacionais”, conclui. Para ele, o LUCA Bot representa “uma oportunidade de interagir com informações, de ter um diálogo mais enriquecedor com os dados graças aos prompts”.
Outro executivo da empresa conseguiu acessar dados financeiros críticos durante uma viagem a Madri, mesmo com colegas no México offline por conta do fuso-horário. Um terceiro executivo recebeu uma análise financeira detalhada em segundos, fornecendo uma base sólida para uma apresentação trimestral ao comitê executivo.
Antes do LUCA Bot, os executivos dependiam de ligações telefônicas, longas trocas de e-mails ou horas – às vezes dias – gastos em busca de relatórios para encontrar as informações necessárias. Agora, tudo está a apenas um clique de distância.
“Tudo se resume à agilidade, oportunidade e simplicidade”, diz Jaime Martínez, chefe de Controladoria Global da Cemex. “É muito mais eficiente do que ter muitas pessoas respondendo perguntas. Além disso, uma grande vantagem é ter uma fonte unificada de informação, sem depender da pessoa para quem você pergunta”.



Aumentando a eficiência em um mercado competitivo
Para a Cemex, uma empresa com US$ 16 bilhões em vendas em 2024, investir em IA faz parte de um esforço mais amplo por eficiência em um ambiente altamente competitivo. A empresa é uma potência global, operando mais de 50 fábricas de cimento e mais de 1.000 usinas de concreto em quatro continentes, mantendo uma forte presença nos EUA.
O novo CEO da Cemex, Jaime Muguiro – que assumiu o cargo no ano passado – fez da melhoria da eficiência operacional uma prioridade, dizem os executivos. E adotar tecnologias como IA é essencial para se manter à frente diante dos desafios globais, do aumento dos custos dos materiais e da intensificação da competição no mercado.
“O uso da tecnologia é um pré-requisito para alcançar a eficiência operacional definida pela alta administração”, observa Sosa. “É difícil alcançar esse nível de eficiência sem visibilidade sobre a produtividade dos ativos em nível global, o que nos permite tomar decisões”.
O agente de IA focado em executivos é apenas o ponto de partida, segundo os líderes da empresa. Estão em andamento planos para estender suas capacidades para outros níveis de gestão, permitindo que funcionários, como por exemplo operadores de fábrica, acompanhem o tempo de parada dos caminhões em suas instalações. Essa expansão visa otimizar a eficiência operacional e, consequentemente, impulsionar um desempenho financeiro mais forte, observa Sosa.
A Cemex também planeja lançar um agente separado para todos os funcionários, utilizando informações públicas da empresa e dados externos verificados. “Isso nos daria duas vantagens: eles teriam mais informações e nós aprenderíamos o que eles querem saber, ajudando-nos com uma melhor preparação para a reunião seguinte. É uma situação em que todos ganham”, explica Martínez.
A equipe de controladoria da Cemex, responsável pela supervisão financeira e pelos relatórios, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do LUCA Bot. Em 2016, a equipe lançou o LUCA: um banco de dados na intranet que permitia aos executivos buscar milhares de registros operacionais e financeiros internos. A IA ofereceu uma forma de levar o projeto além, possibilitando acesso instantâneo a dados e insights. O agente de IA recebeu esse nome em homenagem ao banco de dados que, por sua vez, presta homenagem a Luca Pacioli, o monge italiano do século XV frequentemente chamado de pai da contabilidade.


Um membro da equipe
Construído no Microsoft Foundry com modelos Azure OpenAI, o LUCA Bot utiliza tecnologias da Microsoft como Azure OpenAI, Azure AI Search, Azure Cosmos DB, Azure App Service, Microsoft Teams e Azure Storage, para oferecer automação e análise avançada de dados.
A Cemex armazena os dados de forma segura em seu ambiente do Azure. O agente aplica instruções específicas, prompts e configurações do Azure OpenAI para fornecer respostas confiáveis e reduzir erros. Apenas dados básicos da sessão – nome de usuário, prompts e feedback – são salvos.
A LUCA Bot processa mais de 120 indicadores-chave de desempenho, divididos por região, país e unidade, abrangendo uma década de dados e milhares de pontos de informação, segundo o diretor de Arquitetura de TI, Carlos Mantilla. As atualizações ocorrem mensalmente, com acesso restrito à região autorizada e linha de negócios de cada executivo.
Mantilla diz que a interface do LUCA Bot segue o design do Microsoft 365 Copilot, que já era familiar para os funcionários da Cemex.
O agente foi treinado com mais de 35 mil perguntas e é atualizado diariamente com base no feedback dos executivos. Também inclui mais de 60 prompts pré-carregados, como a comparação do EBITDA (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Cemex por região em relação ao orçamento.
Um grupo seleto de executivos participou do programa beta no ano passado e, à época, havia bastante ceticismo. Nos fins de semana, executivos se reuniam para colocar o agente à prova com perguntas desafiadoras, lembra Martínez.

Desde então, a ferramenta ganhou força por meio do boca a boca dentro da empresa. Em uma reunião recente do comitê, um líder sênior usou o LUCA Bot, levando colegas curiosos a perguntarem sobre o assunto. Desde então, eles se tornaram usuários regulares.
Hoje, o LUCA Bot está lidando com 400 a 500 consultas por mês, diz Martínez, com 82% de precisão para análise e 92% para dados. A equipe utiliza um benchmark semanal de 500 perguntas pré-definidas para avaliar a precisão das respostas.
“Agora eles veem LUCA Bot como mais um membro da equipe”, diz Mantilla com orgulho.