Game Analytics Dashboard ajuda times da NFL a filtrar dados para encontrar vantagens competitivas
Enquanto os confetes caíam das arquibancadas do Levi’s Stadium após a vitória de seu time no Super Bowl, o técnico do Seattle Seahawks, Mike Macdonald, já estava pensando no que vinha pela frente. Sem se acomodar com as conquistas, Macdonald passou a offseason da National Football League procurando maneiras para que seu time evoluísse dentro e fora de campo, agora que deixava de ser o caçador para se tornar o alvo dos adversários.
Uma das formas pelas quais Macdonald busca evoluir é por meio da tecnologia, aproveitando oportunidades para usar o grande volume de dados gerado tanto por uma partida quanto por uma temporada completa da NFL. O resultado de uma jogada comum pode não impactar o torcedor médio, mas cada snap traz nuances ocultas que podem fazer a diferença entre vencer ou perder para comissões técnicas ávidas por tomar decisões rápidas em situações de alta pressão.
“Como comissão técnica, temos muito orgulho de encontrar algumas dessas margens que podemos explorar. Quando se trata disso, acredito que elas fazem diferença aos domingos, sem dúvida”, diz Macdonald. “A tecnologia é uma parte enorme dessa nossa busca por vantagens. Provavelmente é o principal catalisador desses esforços, porque é o que acelera as coisas. Quando você encontra mecanismos que podem ajudar a resolver esses problemas, isso acelera todo o processo.”

A NFL e a Microsoft mantêm há anos uma parceria bem-sucedida para ajudar equipes e treinadores a analisar o jogo por meio de diversas soluções tecnológicas, incluindo o Sideline Viewing System (SVS), impulsionado por IA, e o Game Analytics Dashboard baseado em Excel e integrado ao Microsoft Copilot. Os analistas usam essas ferramentas para oferecer às equipes insights baseados em dados antes das partidas e atualizações estratégicas em tempo real a partir da cabine dos técnicos enquanto a ação acontece em campo. Além disso, a Microsoft agora é parceira oficial de IA do Seahawks.
Embora todos os times tenham acesso aos dashboards na cabine dos treinadores, cada clube usa a solução de uma forma diferente. O Seahawks tem visto resultados positivos ao adotar a tecnologia e integrar sua equipe de analytics ao planejamento e às decisões de estratégia de jogo.
“O jogo acontece muito rápido. Os responsáveis por chamar as jogadas já estão definindo a próxima antes mesmo de a anterior ser encerrada pelo apito”, diz Brian Eayrs, diretor de análise de futebol americano e situações especiais do Seahawks. “Tudo gira em torno de antecipar várias jogadas à frente, porque, se você apenas reage às jogadas, nunca vai acertar as chamadas. A análise em tempo real é acelerada com o dashboard de analytics. Conseguimos enxergar padrões e antecipar melhor do que jamais antecipamos antes.”

Na temporada 2026 da NFL, duas grandes atualizações do dashboard de analytics ajudarão a transformar a forma como os times acessam e analisam informações.
Primeiro, usando a versão mais recente do Microsoft Copilot no Excel, o assistente de analytics permitirá que as equipes criem e agora também editem dados com IA, gerando insights ainda mais rapidamente. Segundo, os analistas agora poderão “transmitir” tabelas, gráficos e insights ao vivo de seus dashboards para os dispositivos SVS usados por jogadores e técnicos na cabine e na lateral do campo, permitindo que os times recebam e interpretem dados rapidamente durante o jogo, todos trabalhando a partir da mesma fonte.
O Seahawks é apenas um dos muitos times da NFL que buscam aproveitar a capacidade de criar insights mais rápidos em dias de jogo. Analistas de toda a liga aguardam com expectativa os recursos atualizados do Game Analytics Dashboard para simplificar a comunicação com os técnicos durante as partidas.
“Estou muito empolgado com o recurso de compartilhamento de tela do SVS”, diz Andy Grossman, analista sênior de dados de futebol americano do Atlanta Falcons. “Acho que será um processo muito mais fluido este ano. Não vai exigir tanto tempo nas comunicações por rádio, e os técnicos poderão visualizar mais informações e torná-las mais acionáveis. Antes, eles tentavam ouvir vários números que eu lia em voz alta para visualizar aquilo mentalmente. Agora, com o SVS, eles vão ver tudo bem à frente deles.”
“Se voltarmos aos dados básicos de entrada de uma partida de futebol americano, temos down, distância, quarto, relógio, diferença no placar, pessoal ofensivo e pessoal defensivo. Depois, os jogadores saem do huddle e uma série de novas variáveis entra nessa equação. E, a cada jogada que termina, você entra em uma nova situação, com outra corrida para reunir informações”, diz Eayrs. “O dashboard de analytics acompanha grande parte disso para nós. Agora, isso nos dá a capacidade de focar no jogo em si — no que acontece depois que a bola é colocada em jogo.”

Patrick Ward é vice-presidente de pesquisa e analytics do Seahawks. Seu trabalho se concentra na análise de dados tanto para aquisição de jogadores quanto para estratégia de jogo. Ward é responsável por desenvolver diversos modelos de situações de jogo que ajudam Eayrs e outros integrantes da equipe a entender como reagir a cenários específicos de placar e tempo.
Ambos entraram em ação na temporada passada, em semanas consecutivas. No fim de uma partida da Semana 15 contra o Indianapolis Colts, o Seahawks precisava decidir como administrar o pouco tempo restante. Macdonald, com a ajuda de Eayrs, decidiu usar todos os três pedidos de tempo para garantir que o time ainda teria tempo caso o Colts pontuasse. Eles recuperaram a bola com 47 segundos restantes, tempo suficiente para uma campanha que garantiu a vitória. Eayrs recebeu uma bola do jogo no vestiário por seu trabalho — uma ocorrência muito rara para alguém que não é jogador e um sinal de como o trabalho dos analistas em dias de jogo vem se tornando cada vez mais importante em toda a liga.
“No minuto em que eles passaram da linha de 50 jardas, falei rapidamente com nosso assistente de técnico principal, Leslie Frazier, e disse: ‘Esta é aquela situação que discutimos antes. Vamos pedir esses tempos’”, relembra Eayrs. E ele respondeu: ‘Sim, vamos fazer isso’. A defesa, antes de tudo, fez o trabalho difícil ao conseguir a parada. Eu apenas lembrei o técnico Mike de pedir o tempo. Todas as informações que havíamos reunido até aquele momento nos ajudaram a ser decisivos. Foi um ótimo exemplo da arte e da ciência de vencer um jogo equilibrado.”
Na semana seguinte, Seattle se viu em um jogo eletrizante contra o Los Angeles Rams. Quando o Rams abriu 37 a 30 na prorrogação, a decisão já havia sido tomada: se o Seahawks marcasse, tentaria a conversão de 2 pontos para buscar a vitória, com base nos modelos desenvolvidos por Ward e sua equipe. O Seahawks venceu por 38 a 37 em um dos melhores jogos do ano.
“Quando penso em um departamento de pesquisa e analytics ou de pesquisa e estratégia, penso no fato de que a melhor forma de obter vantagem competitiva sobre seus adversários é aprender mais rápido do que eles — e não faltam dados nem perguntas”, diz Ward. “Então, quanto mais rápido conseguirmos produzir informações e respostas que cheguem às mãos dos técnicos, melhor.”
Explorando cada vantagem

Quando a revanche de Super Bowl entre Seahawks e New England Patriots abrir a temporada de 2026, Eayrs, Ward e Macdonald já terão analisado os números em preparação para o confronto, mas também estarão prontos para lidar com os inevitáveis ajustes em tempo real graças ao Copilot e à adoção da tecnologia pela liga.
“Tudo o que tentamos fazer é encontrar a melhor maneira de tornar nosso time melhor no dia a dia”, diz Macdonald. “Então, se podemos usar qualquer informação para tomar decisões melhores, colocar nossos jogadores em melhores condições de fazer uma jogada ou serem produtivos, ou marcar mais pontos no placar, por que não faríamos isso?”
Muitos outros times pensam da mesma forma, enquanto analistas de toda a liga mergulham nos dados e usam o dashboard para se preparar para a Semana 1 e para a longa temporada pela frente. Ter resultados que confirmam os dados não apenas gera a sensação de trabalho bem-feito, como também abre caminho para explorar outras possibilidades estratégicas usando novas fontes de dados.
“A cada ano, vejo a tecnologia crescer e melhorar em eficiência e na eficácia com que conseguimos usá-la”, diz Grossman. “Temos acesso a muito mais dados este ano do que tínhamos no ano anterior. Estamos entrando em sintonia com os técnicos, que já estão tão acostumados a ver esse tipo de informação que nem precisam mais fazer as perguntas. Conseguimos, de certa forma, antecipar o que eles querem ver e mostrar isso de forma proativa.
“Quando você tem sucesso e o time ou adversário atua da forma que você havia antecipado com base no que eles fizeram nas semanas anteriores, isso valida o nosso trabalho e realmente ajuda a conquistar a confiança dos técnicos.”