Ir para a página inicial Pular para o conteúdo principal Notícias de Microsoft Microsoft On The Issues Source Blog Oficial da Microsoft Command Line IA Serviços Financeiros Agronegócio Segurança Sustentabilidade Transformação Digital Vida & Trabalho Inovação Diversidade e Inclusão Microsoft 365 Azure Copilot Windows XBOX Suporte Aplicações Windows OneDrive Outlook Como migrar do Skype para o Teams OneNote Microsoft Teams Compre o XBOX Acessórios para PC XBOX Game Pass Ultimate XBOX e jogos Jogos para PC IA da Microsoft Segurança da Microsoft Azure Dynamics 365 Microsoft 365 para empresas Microsoft Power Platform Windows 365 Soberania digital Desenvolvedor Microsoft Microsoft Learn Suporte para aplicativos de marketplace de IA Comunidade Microsoft Tech Microsoft Marketplace Empresas de software Visual Studio Microsoft Rewards Segurança e downloads gratuitos Educação Cartões-presente Licenciamento Ver mapa do site

Como a IA ajudou pequenos agricultores e vinicultores argentinos a se manterem competitivos para atrair uma nova geração

Quando o pai de Elizabeth Panella faleceu em 2015, ela e seus irmãos herdaram os vinhedos da família na Argentina. Panella, que tinha uma carreira consolidada como contadora, viu-se imersa em uvas e vinhos.

Os irmãos estavam consolidando sua fama como vinicultores em Mendoza, a região produtora de vinho mais importante da América do Sul, renomada pela produção do vinho Malbec, quando a pandemia começou, justo no meio da temporada de colheita. Nesse momento, empresas e trabalhadores ao redor do mundo adotaram o trabalho remoto e as videochamadas para evitar o contágio. Panella também recorreu à tecnologia para acompanhar a contagem dos cestos de uva, colhidos usando um equipamento que permitiu gerenciar a colheita eletronicamente, o que ajudou a reduzir o contato físico.

Em pouco tempo, eles adotaram uma série de novas ferramentas impulsionadas pela IA, que ajudam a revolucionar a democratizar a agricultura na Argentina e em outros países. Esses recursos ajudam os agricultores a obterem conselhos de agrônomos e cientistas de dados e a acessar algoritmos que contribuem para semear, regar, fertilizar e colher de uma forma mais eficiente para economizar dinheiro, ser mais sustentável e ser mais competitivos.

Isso é algo que tem sido observado atentamente por diversos países, já que governos do mundo todo estão à procura de formas de aumentar a produção de alimentos para a crescente população global diante de um suprimento cada vez mais escasso de água, menos terras cultiváveis e desafios geopolíticos e econômicos cada vez mais complexos.

“Há um sentimento de conexão que não queremos que se perca no futuro”, diz Panella. “Nós seguimos a tradição dos meus bisavôs, avôs e depois do meu pai, e agora somos nós que estamos levando adiante o negócio da família da melhor maneira possível, para passar a fazenda para nossos filhos no futuro”, o que inclui atender às novas demandas agrícolas que, segundo ela, são “muito mais fáceis de realizar com ajuda da tecnologia”.

Cerca de um quarto da terra cultivável e das florestas estão na América Latina, de acordo com a The Nature Conservancy. E a Argentina, em particular, é uma potência agrícola, classificada entre os principais fornecedores de alimentos do mundo, de acordo com o Banco Mundial, e especializada em vinho, carne bovina e soja, entre outros. Portanto, os vinicultores e agricultores do país têm uma grande influência sobre a produção mundial de alimentos.

“A agricultura é a essência da vida e a mãe de todas as indústrias”, conta o CEO e fundador da Agrobit, Horacio Balussi. “Colocar uma semente no chão e cultivar alimentos dá uma visão diferente do mundo e da vida para as pessoas, o que torna os agricultores profissionais diferenciados, muito especiais”.

Balussi, que cresceu como filho de um marceneiro numa comunidade de produtores de milho na Argentina, fundou a Agrobit, uma empresa de tecnologia que começou com um software agrícola 40 anos atrás e em 2019 começou a usar a IA e o aprendizado das máquinas para criar o primeiro sistema agrícola inteligente do país.

A Agrobit trabalhou com a Microsoft para construir uma plataforma personalizável no Azure e acelerar sua certificação e entrada no mercado, a fim de levá-la aos agricultores e produtores de vinho mais rapidamente. A Microsoft já tinha experiência na indústria por meio do Projeto FarmBeats e do Projeto FarmVibes, que usam sensores, drones, satélites, tratores conectados e outros equipamentos agrícolas para alimentar ferramentas e algoritmos com inteligência artificial que transformam dados em inteligência. A Microsoft anunciou recentemente o Microsoft Azure Data Manager of Agriculture, uma solução comercial desenvolvida com base no Project FarmBeat.

A primeira plataforma de IA da Agrobit tinha como foco a soja, o milho e o trigo, e hoje se expandiu para apoiar a gestão de 50 culturas diferentes, incluindo limões, tomates e abacates, todos cultivados em aproximadamente 3 milhões de hectares nos campos de seus clientes. O sistema melhora constantemente, o que ajuda os agricultores a produzirem mais, ao mesmo tempo em que reduzem insumos como sementes, água e fertilizantes, ao aplicar quantidades precisas em locais específicos para criar um modelo mais sustentável de produção de alimentos, segundo Balussi. Além disso, os clientes da Agrobit economiram até 30% quando implementam as recomendações dos sistemas, afirma José Avalis, técnico da Agrobit.

Avalis representa o novo tipo de agricultor ao qual a Agrobit procura ajudar com sua tecnologia. A companhia está nivelando as condições do mercado argentino para competir na indústria agrícola global. Filho de agricultores, Avalis diz que é “o primeiro tecnológico da família”, mas continua com o legado de seus pais ao cultivar cerca de 1.200 hectares com seu irmão no seu tempo livre.

A tecnologia ajuda agricultores de todos os tamanhos, sejam empresas familiares ou grandes cooperativas, em todos os níveis da cadeia alimentar, desde o back-end (orçamentos, faturas e rastreabilidade) até o trabalho nas próprias culturas, diz Avalis.

Com a plataforma da Agrobit, os agricultores podem gerenciar diferentes cenários para anos de seca ou de enchentes, ter em conta fatores como mudanças nas regulamentações governamentais, avaliações de mercado e taxas de câmbio, em combinação com todos os requisitos específicos de plantio e colheita para cada tipo de cultura, bem como elaborar rapidamente planos e orçamentos, explica Avalis. O sistema pode até sugerir um tipo diferente de cultura que poderia funcionar melhor para uma determinada estação, com base em todos esses parâmetros. E os aplicativos funcionam tanto em computadores conectados à rede do escritório, quanto em dispositivos desconectados no campo.

“Os agricultores gostam da tecnologia, mas são muito conservadores e precisam de provas reais para adotá-la”, diz Balussi.

O agricultor Juan Martín Millet, de 43 anos, faz parte da quarta geração da sua família que mora e trabalha perto da cidade de Rosario, no campo argentino, uma região muito fértil onde se cultiva trigo, milho, soja e sorgo, além da criação de vacas num campo de 3.500 hectares. Millet é um exemplo da transição entre a tradição e a tecnologia.

“Estou sempre procurando me adaptar e inovar”, diz Millet, mas mesmo as menores mudanças podem acabar tendo um alto custo.

Pensando nisso, quando Millet adotou a plataforma ACA Mi Campo quatro anos atrás, ele começou pouco a pouco. ACA, uma cooperativa com 50 mil agricultores, ajuda seus membros a aproveitarem a tecnologia para conseguir cultivos com uma qualidade melhor e de forma mais eficiente.

Primeiro, Millet variou a densidade das sementes enquanto plantava, com base na análise de dados geográficos detalhados gerados pela ACA Mi Campo, e comparou os resultados ao longo da temporada com campos onde ele usou métodos tradicionais de semeadura. O sistema ajudou tanto — com uma economia de cerca de 10% ao ano, pois ele usou menos sementes e menos fertilizantes, obtendo os mesmos rendimentos de antes — que ele rapidamente passou a seguir as recomendações do ACA Mi Campo para aplicar fertilizantes com mais precisão. Ele diz que está “entusiasmado para praticar mais agricultura assistida pela tecnologia”.

O resultado dos testes feitos por Millet com a aplicação convenceu o agricultor a deixar de cultivar “por hábito” e “fazer as coisas com mais consciência, tendo em conta o que cada ambiente requer”. E, apesar da sua experiência como agricultor superar duas décadas, o diário da colheita gerado pela plataforma o tem ajudado a se lembrar de tarefas que ele executa apenas uma vez ao ano, além de fornecer conselhos úteis.

“O acesso à tecnologia foi democratizado”, diz Cristian Ottaviani, consultor agrícola regional da ACA Mi Campo, o que ajuda a tornar a agricultura mais eficiente e ambientalmente sustentável. “Há quatro, cinco, seis anos, era extremamente caro, tanto em tempo quanto em dinheiro, ter acesso a essas ferramentas, e a implementação era muito lenta por causa do custo. Agora, você pode mapear todo o lote em questão de minutos.”

Outra grande vantagem da expansão da tecnologia agrícola entre os pequenos produtores, acrescenta Ottaviani, é “além do econômico, o ambiental: o fato de ser muito mais eficiente com os fitossanitários, com os fertilizantes químicos que estamos utilizando na produção na Argentina, ou no mundo”.

Usando sensores, satélites e algoritmos, sob a tutela de engenheiros agrônomos, cientistas de dados e desenvolvedores de software, sistemas como o da Agrobit monitoram as condições do ar e do solo e as previsões para o campo, enviando alertas para os agricultores de quando será o melhor momento para plantar, regar, fertilizar, capinar um terreno e colher um cultivo específico.

Com cada movimento do satélite, o sistema monitora o crescimento das plantas e recomenda ações. E o elemento de aprendizado das máquinas ajuda o algoritmo a alimentar continuamente o conhecimento sobre as melhores práticas para cada zona, ajudando os agricultores a melhorarem a qualidade, a eficiência e a economia. Além disso, a tecnologia permite um monitoramento remoto, o que capacita os profissionais rurais para cultivar áreas maiores e os deixa livres para realizarem outras atividades, como a contabilidade para Panella e a programação para Avalis.

A agricultura é a essência da vida e a mãe de todas as indústrias. Colocar uma semente no chão e cultivar alimentos dá uma visão diferente do mundo e da vida para as pessoas, o que torna os agricultores profissionais diferenciados, muito especiais.

Essa liberdade é particularmente atrativa para os agricultores mais jovens, que se sentem mais confortáveis com a tecnologia e tendem a ter carreiras e atividades que os impedem de estar presentes no campo tanto quanto seus pais ou como as gerações anteriores faziam, dizem Balussi e outros especialistas.

Essa mudança geracional é um dos maiores desafios que os agricultores enfrentam na América Latina – e na agricultura em todo o mundo, diz Balussi. “Os produtores estão envelhecendo e não temos jovens que entrem na indústria para os substituir”, diz o CEO. “Mas os jovens gostam da tecnologia, e isso os seduz e capacita para adentrarem na agricultura e serem bem-sucedidos.”

Panella, com 42 anos, foi apresentada ao mundo das novas tecnologias pela Fecovita, uma federação de 5 mil pequenos vinicultores, em 29 cooperativas, que ajuda a promover e vender o vinho que produzem, controlando 22% do mercado vinícola da Argentina.

O grupo oferece acesso para 26 agrônomos e 60 especialistas vinícolas que trabalham em seus próprios laboratórios, um serviço mecânico de colheita, um serviço de fumigação aéreo com drones e uma equipe de apoio técnico que inclui Juan Garro, engenheiro agrônomo que é coordenador técnico da Fecovita há mais de uma década.

“Embora muitas ferramentas digitais tenham surgido, trabalhamos com pequenos produtores que passaram por dificuldades para incorporar isso, por não terem acesso a dispositivos inteligentes ou ao Wi-Fi”, diz Garro. “Tivemos um caso, uma experiência muito particular durante a pandemia, por exemplo, em que, de forma acelerada, aprendemos a gerenciar todas as redes sociais, toda a questão das plataformas de videochamadas e, nesse caso, até mesmo produtores de 60, 65 ou até 70 anos, que nunca tinham tocado em uma ferramenta, imediatamente pegaram a mecânica, começaram a se conectar, participaram de reuniões de treinamento.”

Agora, aos poucos, com uma aplicação simplificada que funciona apenas com o clique de um botão, eles estão adotando a tecnologia nos seus vinhedos, conta Garro.

Juan Garro, engenheiro agrícola e agronomista, é o coordenador técnico da FECOVITA, uma federação de 5.000 pequenos vitivinicultores na Argentina. (Foto de Fernando de la Orden)

Os vinicultores conseguem tomar decisões mais rapidamente ao terem especialistas a sua disposição para assessorá-los “praticamente 24 horas por dia”, sem ter que esperar que técnicos ou agrônomos manuseiem seus vinhedos para diagnosticar problemas, diz Garro. E a plataforma digital da Fecovita facilita o upload da documentação exigida pelos compradores, em um mundo em que a rastreabilidade oferece uma vantagem competitiva à medida que os consumidores se tornam mais interessados pela sustentabilidade e práticas ambientalmente corretas. Além disso, alguns registros digitais podem ser acessados pela equipe da cooperativa para ajudá-la a garantir a qualidade dos vinhos do grupo.

“Agora podemos ver tudo o que já foi feito com a uva Malbec que entrou no lote nº X e acabou na garrafa nº Y”, diz Garro. “E se tivermos algum tipo de problema, podemos voltar para identificar exatamente o que aconteceu no caminho.”

“Os consumidores, ou seja, os revendedores, os potenciais consumidores dos Estados Unidos, do Canadá, de todo o mercado global, já estão nos solicitando a rastreabilidade do produto, então esses são os grandes benefícios para o produtor, que tem uma ferramenta muito interessante na palma da mão para ver o que está acontecendo no seu campo. Ao mesmo tempo, tem um suporte documental para tudo o que ele faz no seu vinhedo, o que hoje é muito importante para os mercados”, diz.

Desde que começou a trabalhar com a equipe técnica da Fecovita, Panella observou um aumento na produtividade, com uma redução nos custos e no tempo gasto, o que a ajuda a competir melhor com vinicultores maiores em um setor nacional de mais de 1.200 vinícolas, de acordo com o governo de Mendoza. O sistema transmite imagens de satélite aos agrônomos da Fecovita, que a ajudam a monitorar seus vinhedos e a consultá-los virtualmente por meio do aplicativo, para evitar possíveis problemas e manter a produção saudável e livre de ervas daninhas. O aplicativo a alerta sobre a possibilidade de geada, para que seja possível planejar com antecedência a proteção das uvas.

Talvez o mais importante, dada a seca de uma década em Mendoza, os dispositivos nos poços de Panella agora permitem que ela comece a bombear água para suas plantações com um simples clique no aplicativo, não importa onde ela esteja, reduzindo o uso de água por meio de uma irrigação mais precisas. Ao combinar isso com o serviço de diagnóstico da Fecovita, que fornece ferramentas e instrumentos para medir o pH da água e tornar os tratamentos fitossanitários mais eficientes, alguns produtores conseguiram aproveitar recursos hídricos. Isso é feito utilizando também medidores de vazão, que medem o fluxo e regulam a distribuição de água na fazenda.

“Podemos ver todos os insumos e as quantidades de tudo o que usamos para analisar se estamos otimizando o uso de nossos recursos e se estamos indo na direção certa ou não”, diz Panella. “É uma combinação de atributos humanos com tecnologia que está nos guiando em direção a uma maior eficiência e nos ajudando a ser mais competitivos”. completa.

Português (Brasil)
Ícone de recusa de opções de privacidade Suas opções de privacidade
Privacidade dos Dados de Saúde do Consumidor Entre em contato com a Microsoft Privacidade Gerenciar cookies Ética e Compliance Nota Legal Marcas Sobre os nossos anúncios