No Hackathon global da Microsoft, os clientes quebram uma coisa para fazer outra
O verão é uma época de crescimento. Se você estiver em viagem para um destino histórico ou escolhendo um livro para ler na praia, a estação é perfeita para fazer uma pausa da rotina e se concentrar em introspecção e renovação, fazer novos amigos, reconectar-se com os antigos, criar e compartilhar experiências. Com alguma sorte, no outono você estará com a mente afiada e um senso maior de onde quer ir na sequência.
É por isso que o verão do hemisfério norte é o momento ideal para o Hackathon global da Microsoft, com mentes afiadas, avanços tangíveis e amigos de diversas origens reunidos para criar experiências compartilhadas.
Cerca de 27.000 funcionários se reúnem no campus da Microsoft em Redmond, Washington, e em 45 locais em todo o mundo, encarando o evento (parte da One Week, uma semana que celebra as pessoas, produtos e ideias da empresa) como uma plataforma para a inovação. Mas na sexta edição anual, há outro segmento em rápido crescimento que merece destaque: colaboração com clientes.

“Começamos a convidar clientes há dois anos”, explica Susie Kandzor, gerente de programa do grupo The Garage, um programa de experimentação e crescimento da Microsoft que produz o Hackathon para promover sua missão de incentivar a colaboração, a criatividade e a experimentação. “Em 2017, apenas quatro clientes se juntaram a nós. No ano passado, tivemos dez conosco, e o feedback da liderança executiva foi que eles adoraram e queriam mais.”
Na edição de 2019, o maior hackaton privado do planeta acolhe cerca de 30 empresas (mais uma dúzia participará em todo o mundo). Cada um dos clientes envia de três a cinco representantes, incentivando a funcionalidade cruzada, chegando com obstáculos empresariais altamente diversificados que eles esperam superar – e a confiança de que os mais recentes avanços tecnológicos podem levá-los até lá.
“É assim que canalizamos a inovação num esforço concentrado”, diz Angela Yochem, vice-presidente executiva/diretora de tecnologia e digital da Novant Health, uma rede de provedores de assistência à saúde que participou do Hackathon global em 2018 e envia este ano duas equipes de seus escritórios na Carolina do Norte.
“Lembra do filme ‘Apollo 13’, onde há algo errado com a espaçonave e todos os engenheiros se reúnem, espalham partes por toda a mesa e, usando suas experiências passadas e seus históricos, resolvem o problema? Um Hackathon é isso, com esteróides.”

“Vamos falar sobre a arte do possível”, concorda Kirk Windisch, vice-presidente de produtos e serviços digitais da Novant Health. “Estou animado para encontrar soluções que ainda não imaginamos.”
A lista de clientes participantes neste ano é tão diversificada quanto impressionante. Onde mais você poderia encontrar 3M, Starbucks, Mastercard e Blackbaud sob o mesmo teto? De refeições (Nestlé) a eletricidade (Chesapeake Energy) e investimentos (Vanguard), seria difícil encontrar uma gama maior de setores inovando lado a lado.
“No passado, vimos muitos casos em que as empresas conversavam entre si, e o Microsoft Hackathon fez essas apresentações de companhias tão diferentes. Estamos animados com o entusiasmo de nossos clientes para criar e honrados pelo fato de eles terem nos dado a oportunidade de ajudar a desenvolver suas ideias de crescimento”, diz Kandzor sobre a atmosfera especial do Hackathon.
Um dos clientes que participam do Hackathon 2019 é a T-Mobile, sediada em Bellevue, Washington – uma empresa com mais de 80 milhões de clientes e receita anual de US$ 43 bilhões –, usando seu apelido “The Un-carrier” com orgulho disruptivo. Sua principal analista, Sarah O’Brien, diz que a T-Mobile está perfeitamente posicionada para a experiência do Hackathon.

“Estive em uma conferência não faz muito tempo, e meu argumento para vir foi o grande volume de publicações, documentos e patentes em torno de aprendizado de máquina e IA que sai da Microsoft e a noção de que, em vez de tratar o hackathon como uma palavra da moda, há reflexão, liderança e movimento para impulsionar a todos ”, diz ela.
“Nossas empresas têm muita experiência compartilhada e reconhecem que o que fez você ter sucesso no passado não garante sucesso no futuro, por isso estou empolgada com a possibilidade de reunir essas excelentes equipes e criar algo impactante.”
A Novant Health está presente em mais de 650 localidades em cinco estados e oferece maior acesso a atendimento por meio de canais digitais e tecnologia avançada em seus hospitais e centros médicos. “Acabamos de implantar um sistema baseado em IA para tratar pacientes com AVC muito mais rápido”, diz Yochem, citando um exemplo empolgante. “Com uma vítima de derrame, cada minuto importa, e agora podemos salvar muito mais vidas. É um exemplo de como aproveitar a tecnologia pode se refletir na saúde de nossa comunidade.”

E embora o objetivo da Novant Health seja nada menos que salvar vidas, outras empresas podem simplesmente procurar melhorar a qualidade de vida.
“Temos o poder de alcançar mais, simplesmente combinando forças”, diz Jan-Jaap Oosterwijk, diretor global de inovação da empresa de segurança de plataforma digital Irdeto, que vem com sua equipe da Holanda. “Amo a diversidade do evento. Também gostei muito do convite, foi especificado que a equipe não precisa consistir apenas de engenheiros. O Hackathon está aberto a pessoas de qualquer formação, o que proporcionará uma ampla gama de perspectivas.”
Há muitos cérebros trabalhando juntos no Hackathon global, usando uma variedade de tecnologias (no ano passado, esforços focados em tudo, desde tecnologia artificial até agricultura sustentável). Muito parecido com um churrasco de verão, cada cliente traz sua própria especialidade – neste caso, um projeto.


“Apresentaremos três equipes de três, cada uma olhando para uma área diferente”, diz Cheryl Friedman, vice-presidente da Lowe’s Innovation Labs e uma das principais proponentes de soluções baseadas em tecnologia para a cadeia de melhorias domésticas. “Uma delas é focada na experiência de nossos clientes na loja: como eles navegam, aprendem sobre produtos e os usam na loja. Também experimentaremos um chatbot que gera recomendações personalizadas de produtos para nossos clientes.”
“Por fim, trabalharemos no aperfeiçoamento de nossa digitalização e modelagem 3D utilizando o Kinect Developer Toolkit”, acrescenta ela, citando a funcionalidade no site da Lowe que permite aos clientes interagir com produtos de forma interativa, permitindo que eles se sintam mais confiantes enquanto avaliam uma compra.

Depois, há a CN, a empresa norte-americana de transporte e logística, celebrando seu centésimo aniversário com a adoção da tecnologia que os fundadores de sua empresa jamais poderiam ter imaginado. A equipe de Montreal fez a peregrinação armada de copiosas quantidades de dados, esperançosa de que o aprendizado de máquina possa efetivamente automatizar sua construção de modelo analítico.
“A ideia que criamos é baseada no nosso desejo de criar melhor previsibilidade e confiabilidade para nossos clientes”, diz Michael Foster, vice-presidente executivo e diretor de tecnologia da CN.
“Assim, traremos dez anos de dados sobre a velocidade com que os produtos viajaram pela nossa rede, sobrepondo isso aos padrões climáticos, aos volumes da rede e a outros fatores que teriam impactado nossa velocidade”, diz ele sobre a rede expansiva da CN, que cobre 32 mil quilômetros, de todo o Canadá até o Golfo do México.

Quando o CEO da Microsoft, Satya Nadella, cunhou a expressão “intensidade tecnológica”, ele a definiu como a necessidade de cada empresa – independentemente de ser ferrovia, operadora de telefonia ou alguma outra indústria – de adotar a melhor tecnologia e construir capacidades digitais únicas. A cada ano que passa, o Hackathon (lançado no ano em que Nadella se tornou CEO) está se tornando uma manifestação mais grandiosa desse ideal.
A intensidade da tecnologia abrange todos os setores, porque quando a população vive em um mundo cada vez mais conectado, as empresas não competem com rivais tanto quanto com as expectativas dos clientes de que as solicitações sob demanda e acessibilidade aconteçam onde quer que estejam.
“Ao longo dos últimos anos, tentamos pegar todas as ideias legais que temos das pessoas internamente e transformá-las em algo tangível, algo que ajudará nossa tecnologia”, diz Oosterwijk, da Irdeto, cujo projeto usará IA e aprendizado de máquina para diagnosticar anormalidades na atividade do usuário, identificando ameaças de segurança para as empresas. “Uma das melhores coisas sobre trabalhar com a equipe da Microsoft – e esse evento trata disso – é o compromisso com a inovação.”

Por mais inovadoras que as conversas possam se tornar, o fascínio do formato Hackathon pode simplesmente residir em sua simplicidade. Porque, às vezes, a melhor maneira de resolver um problema é reunir todo mundo, dar uma olhada na mesa e trabalhar juntos para encontrar uma solução.
Friedman, da Lowe, concorda: “Isso realmente ajuda a focar a equipe no que é importante para prototipar o conceito de uma maneira muito rápida e fácil. Os hackathons eliminam as distrações e a tendência a produzir em excesso, levando o time ao cerne do que é preciso fazer em um curto período de tempo e como será feito. É um ambiente revigorante para estar, e muitas coisas boas vêm disso.”
Parece provável que essas grandes coisas durem. Uma vez Satya Nadella citou um estudo da Universidade de Boston concluindo que, quando os funcionários contribuem para a construção de sua própria tecnologia, a produtividade aumenta e suas empresas frequentemente ultrapassam a concorrência.
“A T-Mobile orgulha-se de sua cultura de fazer as coisas, especialmente para os clientes – se isso significa que você tem que fazer algo, quebrar algo, inventar algo, é exatamente o que você faz para entregar”, concorda O’Brien, evidenciando um pensamento comum entre o grupo de clientes do Hackathon sobre o trabalho que está sendo no evento poderia impactar positivamente dezenas de milhares de funcionários.

“Temos uma base de funcionários diversificada e todas essas vozes e ideias são bem-vindas e nos levarão adiante.”
Para desenvolver essas tecnologias, as empresas participantes buscam inspiração umas nas outras, mas isso não significa que suas culturas de trabalho não sejam, às vezes, muito diferentes.
Ao elaborar o projeto proposto pela Irdeto, por exemplo, a empresa começou com um problema e, em seguida, trabalhou para trás em direção a uma possível solução. Enquanto isso, a Lowe se concentrou nos clientes enquanto utiliza seu feedback direto. A T-Mobile demonstrará um carro com controle remoto para promover e desmistificar o aprendizado de máquina e a computação de fronteira – um paradigma que realoca a computação dos data centers para a fronteira de uma rede, melhorando assim o tempo de resposta.
“Estamos treinando um modelo de aprendizado de máquina para dirigir o carro e observando a eficiência do aprendizado em conexões Wi-Fi, 4G e 5G”, diz O’Brien sobre o carro RC modificado chamado T-Racer, que irá circular por uma pequena pista de corrida tentando navegar corretamente por linhas amarelas e obstáculos.
Outra manifestação de diferentes culturas de trabalho é como cada empresa planeja resolver seus problemas. Muito parecidos com a faculdade, os planos de jogo incluem preparação e estudo para alguns, a noite toda para outros.

“Nós definitivamente somos os últimos”, ri Oosterwijk, da Irdeto. “Acho que você precisa de uma equipe de pessoas que não apenas faça o seu trabalho diário, mas possa atuar livremente.”
“Estamos nos preparando ativamente para o Hackathon há alguns meses, desde que recebemos o convite”, diz Friedman sobre o plano da Lowe. “Queremos utilizar cada momento que estivermos lá; teremos áreas de foco específicas, para que possamos mergulhar.”
“Acho que temos um pouco dos dois”, diz O’Brien sobre a equipe da T-Mobile. “Você faz o que tem de fazer para atingir o objetivo. Se isso significa ficar repensando e quebrando alguma coisa para melhorar, então a equipe estará lá às quatro da manhã com os Red Bulls na mão.”
À medida que os integrantes do grupo de colaboração com o cliente mergulham no Hackathon global da Microsoft, esperam ter o calor da experiência compartilhada, assistência especializada, crescimento e soluções inovadoras. Se tudo correr bem, quem sabe? Talvez eles até encontrem tempo para compartilhar algumas recomendações de livros.
Foto do topo: Chris Chandler, Jon Soini e Rainya Mosher da T-Mobile estão entre as mais de 30 equipes de clientes do Hackathon global da Microsoft em 2019. (Foto: Scott Eklund/Red Box Pictures)